segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Tinha esquecido meu compasso de medir a vida, delimitar os espaços dentro de mim, escolher, classificar o sentir. Havia uma confusão entre a realidade e a expectativa. Foi arrumando as prateleiras, tirando seus livros, que bateu uma dor fina, quase brisa, era saudade do que não vivemos, como alguns daqueles seus livros que nunca li, sempre por adiamento, esqueci que o tempo foge irreparavelmente e a vida ri de nossos planos, hoje nossas vivências não vividas, meus momentos idealizados foram para caixa, como os livros. E como eles, sei que sempre existirão em outros exemplares, em outra edição. 


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O silêncio agora é mais profundo
nosso silêncio era muito barulhento.
Água e sal
curar feridas
lavar a vida
limpar a dor
secar a mágoa
fazer da lágrima
mar
trans-for-mar
a espuma
em ar
e nos pulmões
celebrar
o contínuo
sopro
de estar viva
viva!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013






minha rebeldia
nunca foi 
declarada
não queria 
ser do contra
só queria 
ser amada

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in the
mirror
i see
my
face 
ask 
me 
what
is 
life 
to 
me?

----

escrevo para estar 
presente
e não pesar com 
a presença
escrevo para 
não ficar doente
sufocada ou tensa
escrevo porque
preciso
do impreciso
do qual escrevo
escrevo para 
abrir um pouco
das cicatrizes
sem muito medo
































sexta-feira, 6 de dezembro de 2013



Não estou aqui
estamos
eu e você
em um bar
um jazz do Coltrane
tocando
minha saia acinturada
seu copo de Whisky
esperando

minha boca vermelha
te chamando
seus olhos famintos
me comendo

nossas risadas ecoando
a fumaça e o cigarro
apagando
no nosso mundo
em que nós
nos amamos